![]() Divagações: O fim do Mundo 07-02-2010 Por coincidência, vi quase de seguida dois filmes passados no mesmo cenário pós-apocalipse, com caracterização de ambientes dir-se-ia tirada a papel-químico mas que, simultaneamente, não poderiam ser mais distantes um do outro. O primeiro foi ‘A Estrada’, de John Hillcoat, baseado no romance de Cormac McCarthy, e onde nada se passa: quero dizer, há a travessia de um cenário desolador empreendida por um pai e o seu filho menor que, na sua extrema fragilidade, vão conseguindo sobreviver às diversas armadilhas que encontram, até um destino (o mítico Oeste) que em nada difere do ponto de partida. O segundo foi ‘O Livro de Eli’, dos irmãos Hughes, por insistência do meu filho, em Paris, apesar de eu estar muito mais inclinado a visionar a biografia de Serge Gainsbourg, que acabou de estrear nos ecrãs franceses. ‘O Livro de Eli’ é a mesma travessia para oeste, no mesmo cenário desolador, com as mesmas armadilhas, empreendida por um homem com uma Bíblia que, contrariamente ao pai de ‘A Estrada’, é um autêntico guerreiro samurai, sempre pronto a chacinar os mauzões que lhe aparecem pela frente e que, no fim, encontra uma espécie de embrião para o retorno da civilização desaparecida (escusado será dizer que, no seu vazio de acção e de esperança, ‘A Estrada’ é muito mais cinema do que o cliché ideológico e narrativo de ‘O Livro de Eli’). Mas o que me leva a falar destes filmes é o facto de ambos apresentarem o mesmo cenário apocalíptico que, tendo sido moda no tempo da Guerra Fria, quando a ameaça nuclear era uma constante, há muito desaparecera das produções norte-americanas, substituído pelos jogos de poder dos polvos financeiros. Terá algo a ver com a Profecia dos Papas, de Malaquias, que prediz que o fim do Mundo acontece depois do 111º Papa, isto é, Bento XVI? Adolfo Luxúria Canibal, Músico | ||
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