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A banda lançou no final do ano ‘Sueste’, um novo disco com 12 novas canções
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Íris: “Continuamos Fiéis ao Algarve. Tirarem-nos de lá era como tirar os GNR do Porto”
31-01-2010

Com 30 anos de carreira, são uma das bandas com maior longevidade na música portuguesa. Domingos, o vocalista, fala do início, das desilusões e do amor pela música.

- Os Íris acabam de completar trinta anos de carreira. Tem valido a pena?

- Sim, apesar dos momentos menos bons tem valido a pena.

- E foram muitos os momentos maus?

- Foram alguns. Mas foram muitos mais os momentos bons.

- Como por exemplo?

- Como o primeiro espectáculo que fizemos com Orquestra em 2005, no dia da cidade de Faro que nos marcou muito. No ano passado voltámos a repetir a experiência e juntámos cerca de vinte pessoas em palco. Houve também uma festa nos Açores, na Ribeira Quente, onde nós fomos actuar a pedido da população e que nos emocionou muito. Foi fenomenal.

- Ainda se recorda como é que tudo começou?

- Sim. Começámos de forma muito desprendida. Nós só queríamos era tocar. Nunca pensámos em gravar discos. Os Íris só apareceram porque todos nós gostávamos de música e só queríamos andar por aí a tocar. E a ganhar algum... claro (risos).

- Estamos a falar dos anos 70. Foi fácil começar, comprar os instrumentos e tudo o mais?

- Quando eu comecei era apenas um miúdo que gostava de música, mas que tinha muita vergonha e que só tinha coragem de tocar em casa. Tinha uma admiração enorme pelas bandas da altura, como os Yes ou os Génesis. E eu só sonhava em tocar como eles.

- E como é que começou a tocar em público?

- Havia uma banda na Fuzeta que eu gostava muito e cujo guitarrista um dia foi para a tropa. Como eles ficaram "agarrados", chamaram-me. Foi com o meu cachet que comecei a comprar os primeiros instrumentos e foi assim que começámos. A minha primeira guitarra custou-me dois contos, que comprei precisamente ao ‘gajo' que tinha ido para a tropa (risos).

- Ao final de trinta anos, ainda se está na música por amor ou carolice?

- Tenho 53 anos e posso dizer que ainda sou completamente apaixonado pela música. Estou nisto por amor e por causa dele também faço muitas carolices.

- Mas dá para viver da música?

- Não temos um grande ordenado, mas vai dando para aguentar. Claro que não há luxos e como eu não tenho jeito para pedir dinheiro ando com um carro a cair aos bocados (risos).

- Sabendo que as bandas sobrevivem graças aos espectáculos, quantos concertos dão por ano?

- Damos vinte e tal concertos, o que é suficiente. Acho que até com uns doze espectáculos já nos safávamos. Menos do que isso é que era complicado.

- Os Íris assumem no site oficial que em 1997 atingiram o ponto alto da carreira com actuações nos Coliseu de Porto e Lisboa. Depois disso, a banda perdeu vários elementos e alguma visibilidade. O Domingos é o único sobrevivente da formação original. Nunca se sentiu desmoralizado?

- Sim, já me apeteceu desistir, mas isso acaba por ser sol de pouca dura. No calor do momento já me apeteceu atirar tudo ao chão, mas depois passa.

- Lembra-se de algum momento na carreira em que lhe tenha apetecido bater com a porta e seguir outro rumo?

- Às vezes não percebo como há bandas que entram para o top de vendas. O nosso novo disco, por exemplo, esgotou a tiragem na primeira semana e isso parece que não contou para nada. Nem ao trigésimo lugar chegámos e isso deixa-me muito triste. Será que o Castelo Branco vende assim tantos discos para entrar no top, como já entrou. Às vezes acho que andam a brincar com quem leva isto a sério. E isso faz-me pensar em desistir.

- Há quanto tempo não vê os Íris no top?

- Desde o primeiro álbum.

- Sempre foram fieis ao Algarve. Acham que se um dia tivessem vindo para Lisboa, a vossa carreira teria tido outra visibilidade?

- Acredito que sim, mas se tivesse saído do Algarve hoje, provavelmente, seria uma pessoa infeliz. E assim vivo contente. O máximo que já me levaram para longe do Algarve foi quinze dias. Mais do que isso ninguém consegue. Era como tirar os GNR dos Porto. O que eu gosto é deste cheirinho a mar.

- Há um tema neste novo disco chamado ‘Em Rumo Sem Destino'. Podia ser um título autobriográfico à história dos Íris?

- Sim. Na verdade, não sabemos onde vamos parar. As coisas mudaram muito e ainda vão dar uma volta maior. As editoras, por exemplo, acredito que tenham os dias contados.

- Depois de tantos anos, quem é o público que ouve hoje os Íris?

- Não temos um público propriamente definido. Vemos pessoas de todas as idades. Felizmente temos passado por cima de rótulos e preconceitos.

- Mas ainda há fãs que vos acompanham desde o início?

- Há de facto pessoas que nos acompanham desde o primeiro álbum. A esta altura já não são fãs. São nossos amigos.

- Ainda hoje todos conhecem os Íris pelo tema ‘Ó Mãe Aquele Moçe Batê-me'. Como é que nasceu essa versão?

- Foi um dia na brincadeira, num bar. Depois alguém me disse que nós devíamos gravar e aquilo ficou-me na cabeça. Mais tarde a editora insitiu e nós gravámos. Foi assim que surgiu também o ‘Atira-te ao Mar'.

- Ainda voz pedem muito para tocar esses temas?

- Sim. As pessoas gostam de ser divertir e já sabem que com essas canções se divertem.

- Muitos não saberão mas o produtor do vosso primeiro disco foi nada mais do que Neak Kay, o homem que descobriu os Iron Maiden. Como é que se conheceram?

- Nós costumávamos tocar num bar em Faro chamado ‘Os Arcos' e um dia ele apareceu lá. Estava cá de férias e tinha ouvido dizer que havia uma banda muito boa que costumava encher a casa. Um dia ficou para o fim do espectáculo, veio ter connosco e perguntou-nos se tínhamos temas originais porque ele gostava de os ouvir. Houve logo uma sintonia muito grande e ficámos amigos. Daí até ele produzir o nosso primeiro disco foi um passo.

- Esse contacto ainda existe?

- Sim, ele passa férias todos os anos em Portugal e sempre que vem estamos juntos.

- Nunca houve oportunidade de tocar com os Iron Maiden?

- (Risos). Chegou a ser falado na hipótese de fazer uma digressão mundial com eles, mas o facto de cantarmos em português acabou por atrapalhar. O Neak queria passar as nossas canções para inglês, mas eu não estava muito para ai virado. Ele ainda hoje continua a insistir. Quem sabe um dia isso não acontece...

- O Domingos é professor de música. Como é a sua relação com os seus alunos?

- Enquanto estou com eles sou apenas professor. De vez em quando lá me pedem para lhes ensinar as músicas dos Íris. Ficam todos vaidosos porque aprendem tal e qual como está nos discos.

- Nunca aconteceu levar alguns alunos para tocar consigo nos Íris?

- Sim, já aconteceu. Ainda na passagem do ano tive um aluno que subiu ao palco comigo. Passei-lhe a guitarra e ele desenrascou-se perfeitamente.

- É casado. Tem filhos?

- Não. Quem faz esta vida tem que tomar opções e a a partir de dada altura da minha vida decidi que era isto que queria ser.

- Era incompatível com ter uma família?

- Na altura era. Precisava de ter tempo e dedicação. Mas sou um homem feliz e realizado.

Miguel Azevedo
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03 de Setembro
Pratica bodyboard há 15 anos mas também lhe agrada nadar, correr e até mesmo fazer canoagem. Arranja sempre tempo para fazer exercício